
Antes de ler o tópico, abra esta página e deixe a música tema do documentário COSMOS, de Carl Sagan, ir tocando.
http://www.carlsagan.com/ [ Basta abrir o site]
Sabe de uma coisa, eu resolvi usar este blog para algo útil, ou não.
Eu era bem novo, por volta de uns 12 anos, talvez entrando nos 14, e escutei diversas vezes meu irmão dizer que eu era superficial, que eu tentava mostrar algo que eu não era, que eu usava frases de pessoas famosas pra dizer que eu era cult também. É, ele tinha razão, ainda me lembro do dia em que ele me falou isso pela última vez, quando eu pendurei na porta do quarto uma folha que dizia assim:
“Se 5 bilhões de pessoas acreditam em uma coisa estúpida, essa coisa continua sendo estúpida.”
Anatole France
Não que eu não me importasse com a mensagem contida na frase, mas eu queria me sentir diferente, de que eu não era como os outros, que eu tinha algo a fazer ou mostrar.Mas de certa forma eu não estava fazendo corretamente, eu não estava refletindo, buscando respostas e novos questionamentos, estava simplesmente parecendo ser essa pessoa.
Contrariamente a idéia do meu irmão Caio, suas palavras e estas pequenas frases começaram a fazer efeito depois de alguma insistência e eu comecei a tomar consciência daquilo que eu realmente acreditava, lendo revistas, artigos, livros, muitos dos quais se não fossem ele e meu tio eu nunca teria conhecido, como a Obra Prima que foi a vida de Carl Sagan, na qual eu me reencosto agora para escrever aqui.
O que me fez lembrar tudo isso? É muito simples. Voltei ao primeiro site [Ateus.net] do qual antes eu me 'fortalecia', para tentar me lembrar de alguma coisa, e me deparei com uma série de Citações, entre elas a que pendurei em uma folha na porta do quarto quando era pequeno, e entre elas havia duas frases que me chamaram a atenção à reflexão, uma de Nietzsche (que conheci atraves das lidas escondidas dos livros de Caio. 'Escondido' , pois do contrario me mataria, acredito) e uma de Bakunin (um filósofo do século XIX):
“Homens convictos são prisioneiros.”
Nietzsche
“credo quia absurdum [creio porque é absurdo].”
Bakunin
Estas duas frases hoje fazem muito mais sentido do que quando eu tinha entre 12 e 14 anos.
Homens convictos se tornam prisioneiros de suas próprias convicções, tornando-se cegos e adeptos do aceitável por eles mesmos e intransponiveis pelas opiniões alheias.Fantasias e Promessas fazem com que cada vez mais os seres humanos se condenem a própria extinção moral e intelectual.Não que seja necessário ser intelectual, no sentido de conhecer, ler e observar diversos assuntos com assiduidade, mas sim de pensar e refletir separadamente e juntamente com o mundo a sua volta.
Sentir-se algo simplesmente por querer pertencer é algo absolutamente inaceitável, porém, quem não está sucetivel à exposição? Raros, são aqueles que de alguma forma conseguem viver ignorantemente [de não saber] deste ideal consumista e deveras amargurante.
Como diria o sábio dicionário Ramoniano* "Ignorance is Bliss" [Ignorância é Benção], uma vez que estar fora do rumo desestimulante da vida é de um ponto de vista sonhado e almejado por muitos, assim como eu, em determinadas ocasiões.
Não quero dizer que não desejo saber das coisas, conhece-las e fragmenta-las, quero sim fazer tudo isso até o ponto de se descobrir maravilhas internas, pessoais, únicas e universais sobre o que nós somos, de onde viemos e para onde vamos, que até hoje desconheciamos, e que por algum motivo, descaso ou puro egocentrismo [paradoxo estranho esse] deixamos passar aquela ansia por conhecer, por descobrir.
Bom, vou ficando por aqui esta primeira apresentação, espero que eu consiga sempre me expressar da melhor forma e que todos que tenham vontade de conversar, discutir ou criticar fiquem livres e a vontade para faze-lo.
* Ramoniano me referi à uma banda de Punk Rock, The Ramones, que foi onde encontrei a primeira vez a expressão "Ignorance Is Bliss".
Um abraço à todos,
Amo-te Sabrina,
Pedro.